4 motivos para conhecer Veronica Stigger

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4 motivos para conhecer Veronica Stigger

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No dia 13 de maio, quem vem à Esc. é escritora, crítica de arte e professora universitária Veronica Stigger. Doutora em Teoria e Crítica de Arte pela Universidade de São Paulo (USP), Veronica falará sobre Literatura e Artes plásticas: alguns diálogos.

Como escritora, é vencedora dos prêmios Machado de Assis da Biblioteca Nacional, São Paulo de Literatura e Açorianos pelo romance Opisanie swiata. 

Assim, selecionamos 4 livros de Veronica Stigger que merecem a sua atenção.

Sul
Três textos literários, três gêneros distintos. Este novo livro de Veronica Stigger — uma das vozes mais fortes da literatura brasileira atual — reúne um conto, uma peça teatral curta e um poema, formando um estranho quebra-cabeça em que, surpreendentemente, todas as peças se encaixam. O primeiro texto, “2035”, é um relato de tom kafkiano e sombrio situado num futuro distópico. Já na peça “Mancha”, duas personagens com o mesmo nome, Carol 1 e Carol 2, travam um diálogo entre cômico e absurdo em torno de uma mancha de sangue no chão de um apartamento. Por fim, o longo poema “O coração dos homens” se constrói sobre memórias de infância em que se confundem verdade e mentira, fato e ficção. Ligando os três textos, sangue, muito sangue, e um uso extremamente consciente e singular da linguagem, que, do trágico ao cômico, do melancólico ao escatológico, encontra sempre a forma e o tom precisos. Publicado originalmente na Argentina, em 2013, Sul é lançado agora em português — porém, acrescido de um texto oculto, que caberá ao leitor desvelar.

Os anões
Nas narrativas breves de Os anões, seu terceiro livro, a escritora Veronica Stigger coloca em funcionamento um mundo de violência e anestesia, onde tudo se transforma em imagem. O volume traz histórias como a do casal de anões que é linchado por furar uma fila; a de atores que despencam de um teleférico protagonizando um espetáculo absurdo; ou a de um rapaz que é processado por exibir um poema como tatuagem. Menos que contos em miniatura, estas são ficções embrionárias ou potenciais que, por sua própria incompletude, ficam ressoando na memória do leitor.

O projeto gráfico do livro, em formato pequeno e papel cartonado (normalmente utilizado em livros infantis), dialoga com a estranheza do universo da autora. Na quarta capa, o escritor mexicano Mario Bellatin afirma: “os fragmentos, as histórias diminutas deste volume apresentam-se como um telescópio que não serve senão para observarmos a nós mesmos”.

Opisanie Swiata
Primeiro romance de Veronica Stigger, Opisanie swiata significa “descrição do mundo” e é como se traduz Il Milione, o livro de viagens de Marco Polo, para o polonês.
É justamente como uma espécie de relato de viagens que essa novela se constitui. A história central do livro é a de Opalka, um polonês de cerca de sessenta anos que, em sua terra natal, recebe uma carta por meio da qual descobre que tem um filho no Brasil – mais especificamente, na Amazônia -, internado num hospital em estado grave. O pai decide viajar ao encontro do filho; no início do percurso, conhece Bopp, um turista brasileiro que, ao tomar conhecimento das razões da viagem de Opalka, resolve abandonar seu giro pela Europa para acompanhá-lo ao Brasil.
O livro se compõe a partir de diversos registros, como o do relato em terceira pessoa, o da carta, o do diário etc., além de contar com inserções de imagens e fragmentos de textos sobre a ou da década de 1930 — época em que transcorre a ação.

Onde a onça bebe água
O que um menino vê ao olhar para uma onça no meio da mata? E o que a onça vê ao se deparar com um menino? Em Onde a onça bebe água, a escritora Veronica Stigger toma como base a teoria do perspectivismo, a partir da obra do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, para mostrar que cada um vê o mundo de um ponto de vista distinto. Joaci é um menino destemido que resolve beber água justamente no rio onde a onça bebe água. E qual não é sua surpresa ao se deparar com a onça em carne e osso tirando um cochilo na rede. Depois de alguns mal-entendidos, o garoto começa a se perguntar: como será que a onça o enxerga? Como Joaci ou como alguma outra coisa? E será que, para a onça, a onça era onça ou outra coisa? Um convite a olhar o mundo de outra forma.