4 trocas de correspondência transformadas em livros

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4 trocas de correspondência transformadas em livros

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#1 Correspondência de Abelardo e Heloísa, Paul ZumthorAbelardo e Heloisa
“Onde está a sábia Heloísa / Por quem foi castrado, e depois
monge / Pierre Abelardo em Saint-Denys…?” Em linhas gerais, a história é conhecida de todos. O que nos é contado nos textos ultrapassa, por sua ambiguidade, qualquer classificação: tragédia (no sentido medieval do termo: ação com final infeliz), mas também comédia, com conclusão regeneradora, divina comédia… Essa própria ambiguidade dá conta das contradições da crítica: poucos textos são menos neutros do que a coletânea comumente denominada Correspondência de Abelardo e Heloísa, e quase inevitavelmente, o leitor nela investe sua própria ideologia.

#2 Cartas a Nora, James Joyce
Devo ter-lhe atormentado esta noite com o que disse mas certamente é bom que você conheça a minha opinião sobre a maioria das coisas. Minha consciência rejeita toda a ordem social atual e o cristianismo – lar as virtudes reconhecidas classes sociais e doutrinas religiosas. Como posso gostar da ideia delar? James Joyce. Talvez a melhor discussão (real) sobre a relação entre a vida e a arte tenha acontecido Cartas a Nora(ficcionalmente) na Biblioteca Nacional de Dublin no (real e ficcional) dia 16 de junho de 1904. Como assim? Ora assim mesmo. É Stephen Dedalus que na verdade era um pseudônimo várias vezes empregado por James Joyce quem conversa com vários outros escritores todos reais e a quem chama às vezes por seus pseudônimos sobre as relações entre a obra e a vida de Shakespeare. Joyce claro estava adorando dar um imenso nó na discussão. E como. Pois não só é na vida de Joyce que o leitor encontra enredos e às vezes até esclarecimentos para certos trechos dos romances mas é na relação vida-obra e na complicada alquimia que faz com que ela transcenda o egoico e se universalize que se localiza grande parte da magia da leitura da própria obra de Joyce. É claro portanto que toda a documentação que cerque a vida de Joyce há de ser de grande interesse para os leitores. E entre esses documentos as cartas trocadas entre ele e sua esposa Nora ocupam lugar absolutamente central. Muito além da relevância das ditas “cartas sujas’ em que eles trocavam “safadezas’ quando estavam sem se ver o que essa correspondência registra expõe e elucida é simplesmente a relação mais definidora da história de vida de Joyce. O que o leitor brasileiro recebe neste volume carinhosamente traduzido e solidamente organizado por Dirce Waltrick do Amarante e Sérgio Medeiros é uma via de acesso a um compartimento profundo e rico da vida sentimental de um grande reelaborador de sentimentos e vidas. É chegar mais perto da fonte. O Ulysses de um certo ponto de vista é a história de Joyce sem Nora. O dia 16 de junho marca o primeiro passeio do casal (real) mas Dedalus (ficcional) termina o dia só. Se Bloom pode ser visto como uma versão possível de Joyce sem a literatura Dedalus é o escritor sem a mulher que lhe deu segunda vida. Para o homem inteiro adicione-se Nora. Para chegar mais perto dele(s) sirva- se.
(Caetano W. Galindo)

41L5sUEVIBL._SX353_BO1,204,203,200_#3 Carta A D., André Gorz
Até o lançamento deste que foi seu último livro, o austríaco André Gorz (1923-2007) era conhecido por suas obras nas áreas da filosofia e da sociologia, bem como por sua atuação política nos acontecimentos de Maio de 68 na França e em outros eventos marcantes da cultura deste país, onde se radicou. Mas Carta a D. transformou instantaneamente seu autor num total sucesso na área da literatura, com mais de cem mil exemplares vendidos entre França e Alemanha. O livro foi escrito para homenagear Dorine, com quem partilhou a vida por quase sessenta anos. Desde o início da década de 1990, Gorz vivia em retiro com a mulher, que sofria, há anos, de uma doença degenerativa. Os dois viveram uma grande história de amor, companheirismo e militância, após terem se conhecido em Lausanne (Suíça), em outubro de 1947. Desde então, nunca mais se separaram. Carta a D. é do princípio ao fim uma declaração de amor, na qual a trajetória intelectual do autor é revisitada. Discípulo de Sartre e cofundador da revista Le Nouvel Observateur, Gorz era um crítico radical da mercantilização das relações sociais, contrário à crença no trabalho assalariado, além de ser autor de vários livros sobre ecologia.
Este livro integra a coleção Portátil. O design dos livros da coleção foi pensado nos mínimos detalhes para que seja especial e inovador, como nas demais edições da Cosac Naify. As capas, com relevo exclusivo, trazem cores fluorescentes em uma disposição geométrica que varia a cada título. Os livros, em brochura, têm uma encadernação desenvolvida especialmente para garantir maior flexibilidade ao folhear. Todo o volume é impresso em munchen; a textura e cor agradáveis deste papel, aliadas ao tamanho e espaçamento das linhas e das letras garantem uma leitura confortável.

#4 Cartas, Graciliano Ramos
Graciliano Ramos é, sem dúvida, um dos autores mais completos da literatura brasileira. O porta-voz da realidade do sertão download (1)nordestino, mais conhecido pela sua obra “Vidas Secas”, tem as suas correspondências íntimas publicadas pela Editora Record. No livro Cartas, os acontecimentos cruciais da vida deste alagoano são acompanhados através de relatos a amigos e familiares. Viabilizado pela colaboração de pessoas que conviveram com o escritor, principalmente sua viúva Heloísa Ramos, a publicação reúne cartas enviadas por Graciliano desde 1910, quando morou em Palmeira dos Índios, no agreste de Alagoas, numa casa comercial de seu pai, até a viagem que fez em 1952, passando pela União Soviética, Tchecoslováquia, França e Portugal. Além de curiosidades sobre a vida deste ilustre escritor, a obra traz referências históricas do Brasil que são citadas em muitas de suas correspondências. Não se pode esquecer que, entre 1928 e 1930, Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios e, em 1930, ocupou o cargo de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas.
O livro proporciona uma íntima relação entre o autor e o leitor, uma vez que suas vivências são narradas minuciosamente de forma peculiar, além de esteticamente reveladoras. São detalhes indispensáveis para aqueles que procuram desvendar a figura do maior escritor alagoano de sua época.

E, para você, qual é o livro de cartas mais marcante de que a gente se esqueceu?