Os 9 Melhores Livros de 2015

Depois de dois concílios e três litros de café, a equipe Esc. apresenta os nossos melhores livros de 2015.

Os 9 Melhores Livros de 2015

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Parte da equipe da Escola de escrita ficou responsável por fazer três pequenas listas para definir afetivamente os melhores títulos de 2015. Confira:

MILENA VICINTIN

Walter

A desumanização | Valter Hugo Mãe | Cosac Naify

Fiquei absolutamente encantada com a linguagem, o cuidado estético e a delicadeza de Valter Hugo Mãe ao escrever e compor as suas metáforas e poemas visuais. O frio, a paisagem hostil e a mitologia nórdica se mesclam à dureza da trama, que, sob contraste, é narrada de forma leve e sensível pela “gêmea menos morta”. A desumanização é um livro bem afetivo e muito gostoso de ler.

 

 

Fernanda

Fim | Fernanda Torres | Companhia das Letras

Fim, definitivamente, é um bom começo literário para Fernanda Torres. Bem-humorado, irônico, sarcástico, cínico e ácido, o livro conta a história do fim de cinco amigos. Com diferentes vozes e olhares, os personagens narram suas histórias com a malemolência carioca e o estilo de vida típico do malandro. A leitura é bem rápida e fluida.

 

 

 

Luci

Nossa Senhora Daqui | Luci Colin | Arte & Letra

Primeiro livro da Luci que eu li, mesmo eu e ela sendo d’Aqui, o que é bem importante, afinal, “ninguém de Lá entende muito bem como é Aqui. Mas a gente sim”. Brincando com a memória, os hábitos nossos de cada dia, os parentes imigrantes e os jogos de linguagem e de narração, a obra é bem inusitada e divertida. Uma boa dica de leitura, mesmo pra quem não é d’Aqui.

 

 

 

 

 

 

DANIEL ZANELLA

Corpo de Festim

Corpo de Festim Alexandre Guarnieri Confraria do Vento

O segundo livro de Alexandre Guarnieri alcança novas latitudes ao ler o corpo como estrutura poética formadora do tempo e estabelecer, a partir disso, sequências rítmicas originais. Corpo de Festim impressiona pela profusão de imagens e pelo domínio narrativo do escritor carioca, capaz de acontecimentos semânticos como “o útero é a antessala líquida do mundo”.

 

 

Morreste-me

Morreste-me José Luís Peixoto Dublinense

Pequeno tratado sobre a perda da figura paterna, Morreste-me, do português José Luís Peixoto, é um acerto de contas afetivo capaz de desmoronar os leitores mais desavisados – quando a literatura é uma experiência de partilha dolorosa e de tradução do sofrimento.

 

 

 

O Esculpidor de Nuvens

O esculpidor de nuvens Otavio Linhares Encrenca

O curitibano Otavio Linhares conseguiu em O esculpidor de nuvens dar uma nova roupagem ao território das memórias da infância. É uma prosa que alterna momentos de lirismo com passeios pelos lados mais obscuros da natureza humana. Um livro que confirma Linhares como um dos mais interessantes autores paranaenses contemporâneos.

 

 

 

 

 

 

JULIE FANK

Jeito de matar lagartas_ACV

Jeito de matar lagartas | Antonio Carlos Viana | Companhia das Letras

Neste livro de contos que atam a velhice e a infância à solidão, Antonio Carlos Viana não deixa sobrar palavras. As personagens presas ao texto e ao leitor por um fio são esticadas ao limite de seus dramas até atravessarem a página num sobressalto – ou porque foram arrumar a casa, ou porque voltaram a pintar, ou porque paralisadas diante da morte. O autor sabe a hora exata de cortar o elástico, mas sempre deixa um pedaço com a gente.

 

 

 

Jóquei_MC
Jóquei | Matilde Campilho | Editora 34/Tinta-da-china

Matilde Campilho é uma das autoras novas para se prestar atenção. Ela passeia pelos poetas que a influenciaram, pelas calçadas do Rio e pelo Atlântico a bordo da vida como se estivesse indo comprar pão na padaria, “suas mãos desenhando a dança do oxigênio daquele julho e o pó se levantando desde os calcanhares”, “sempre usando o verão”. A argamassa que constrói Jóquei é preparada com as cores escorregadias do exílio e da cidade, das cidades. É para ler recitando, cantando e respirando como quem está prestes a arrumar as malas.

 

 

 

Galveias_JLP
Galveias | José Luís Peixoto |Companhia das Letras/Quetzal Editores

Se, em Morreste-me, Peixoto se aproxima do coração, em Galveias, ele dá nome às coisas, às pessoas e ao lugar que está próximo de sua pele e que o constituem como português dos arredores do Alentejo. Uma costura autoficcional das pontas rurais e memorialísticas que unem o autor à portugalidade que ele quer resgatar.