A (não) coroação de pERNETa

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A (não) coroação de pERNETa

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Chapéu do Harry Potter

Um chapéu que gosto muito, destinado aos heróis

Louros & glória.

O amor nos tempos dos simbolistas.

Eu, que adoro um meio-fio e tenho mais décadas de vida do que de sonhos, nunca perco um lançamento de livro em praça pública.

Ah, Emiliano Perneta, poeta-advogado, nosso simbolista-mor, que delícia não seria vê-lo por aqui, em dias de Facebook & Tinder. Você pleitearia a FLIP? Criticaria Joyce? Sua timeline, sua timeline: como seria? Seria sexy, sem ser vulgar? Duro, porém terno? O vampiro chamava-lhe Emiliano, o Poeta Perneta, embebido do veneno da noite – quando o vampiro ainda não sucumbia à luz, editava revista literária, chamava para beber no ringue.

Em verdade vos digo: Pernetta. Príncipe dos poetas paranaenses, bardo, nosso __________________ (coloque o adjetivo de sua preferência.): 20 de agosto de 1911, a histórica coroação no Passeio Público, nosso zoológico de braços abertos feito um cartão postal, toda a urbe intelectual da província reunida. Tínhamos logo ali um engenho poético, tínhamos até fotografias, chineques, dois cachorros sem nome, um único torcedor do Paraná Clube, um personagem de Borges.

Até aqueles dias, meus caros, Curitiba era pasto. Nevermore! [Maldosinho, Trevisan dizia, aos 21 anos, que a poesia de Perneta era rasa como capim. Poxa.] A memorabilia: a tiragem de 400 exemplares se esgotou em dois dias. E teve até livro de ouro numa caixa de madeira do Paraná com folhas de louro dentro. Perneta, el cerimonioso. A DÚBIDA que persiste e assola os historiadores: Perneta, colocou ou não colocou os louros na cabeça? Em verdade vos digo: colocou! Estive lá. Colocou e ainda disse: “Lírios das espáduas nuas, Curitiba, ó sábia pecadora, sua linda.”

Preciso ir, ver minha mãezinha bêbada. Somos em treze. Mas não desistimos. Tudo nosso, nada deles.

Leitura para comer ad eternum: Uma modesta proposta para prevenir que, na Irlanda, as crianças dos pobres sejam um fardo para os pais ou para o país, e para as tornar benéficas para a República, de Jonathan Swift.

Até a próxima!