Bebeste, Kafka?

Resenhas

Bebeste, Kafka?

Categorias:

plantação_cana

Coisa boa e natural.

Olá, amigos alcoolemistas & amigas abstêmias, não necessariamente nessa ordem de gênero, rum e literatura erótica de panfletinho subversivo – mal sabem vocês de minhas preferências, mal sabem…
Eu nunca contei por motivo de: preguiça, mas hoje a coisa vai. Já andei monstrão e trincado por diversos buracos das tavernas tchecas. (Escrevi um livro sem muita pretensão, Notas do Subterrâneo, mas acabei perdendo o manuscrito.) Gente, tenho mais rodagem nessa vida do que vocês têm de quilometragem em stalkeamento direcionado no Facebook. (Mas eu prefiro o Grinder.) Saibam que um bar em Praga é tão miserável quanto uma solidão na Rua Augusta – aliás, quem conhece o Las Jegas? Ninguém? Quem já foi pra SP atrás de um grande amor e apenas encontrou os rochedos da desilusão? No more I love you’s.
Há escritores que bebem para escrever, firmar o pulso, esquentar as cordas vocais – e se escreve, sim, com a voz. Mas, minha gente… Há escritor que bebe porque há um bar inteiro para se beber. Bebe! Bebe! Bebe! Os garrafões-com-perna, Os boca-de-litro. Os copo-sem-fundo. Ó, saibam que não tem coisa pior nessa vida do que a gente chegar em sã consciência num boteco e perceber que tá todo mundo jajengo. Sim, jajengo, estragado, mais envergado que as parabólicas de espinha de peixe. Parabolicamará. É o que dizem. Não vejo motivo em ficar são e resoluto.
Franz Kafka era um desses escritores bêbados. Ou nem. Mais emocionalmente quebrado do que bêbado. Quebradaço. Não. Estilhaçado. O tour de force – também falo francês porque sensual – não era bolinho. Pai dominador e comerciante. Fisicamente franzino e paranóico. Empregos medíocres. Diploma de advogado. Hipocondríaco. Solução ad eternum? Óbvia, ao menos é o que dizem: bordéis, garçonetes & balconistas, bares e bares sem fim, uns relacionamentos extraconjugais aqui e ali, talvez até tenha sido pai. Kafka, se estivesse entre nós, certamente escreveria na sua timeline se sentindo em dúvida entre comer mariscos, estudar hebraico através do skype ou se matar lentamente num show da minha banda preferida como gesto redentor.
Ele se queixava de tudo o que se podia imaginar, de reumatismo a furúnculo. Principalmente de seu corpitcho, que não era lá um shape muito alucinante mesmo. Contra a síndrome da magrelice, fazia levantamento de peso todo dia e era adepto de umas dietas que vou te contar – em uma delas, mastigava todo e qualquer alimento 45 vezes. Também era vegetariano, veja só, apesar de ter até açougueiro na família.
Escreveu A Metamorfose. Escreveu O Processo.
O que vamos dizer?
E a gente que não sabe nem escrever mensagem no celular ou roer livros com a técnica que melhor concilie conteúdo, nutrição e amor por espaços escuros?
Até!