Mais atrasado que o amor de Harry & Sally | Oldsletter #3

Está na Bíblia, sagrada para muitos e livro mais vendido do mundo há pelo menos cinco décadas, que o amor tudo espera. Você nos esperou, Esc.quer, veja só, e por isso merece a opção amei <3 + flor de gratidão do Facebook (que foi muito apressado e nem esperou a gente usar o botão para você) de uma vez só.

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Foi esse amor de esc.reventes, loucos por literatura e criatividade, que fez a Esc. antecipar o Dia dos Namorados (olha só a gente sendo inédito e antecipando alguma coisa nesta Oldsletter). E como não lembrar de Harry & Sally, o casal mais atrasado do cinema? Exatamente esse clássico da comédia romântica nos incentivou a não esperar doze anos e três meses pra organizar tudo o que aconteceu por aqui nas últimas semanas.

(É claro que, por aqui, fizemos um resumão das coisas; a Oldsletter completa você pode ver por aqui: http://mailchi.mp/escoladeescrita/oldsletter-3-mais-atrasado-que-o-amor-de-harry-sally)

Spoiler: como toda data comemorativa que se preze, TEM PROMOÇÃO no fim do e-mail, pessoal! Então tem que ler tudo? Tem.

Da Esc. à UFPR

Sabe como é, se chamar, a gente vai. Leva conhecimento e aciona o bonde para aprender, debater, rir e chorar (de emoção, esperamos). Dos encontros do Grupo de Estudos Feministas Capitu à Universidade Federal do Paraná, a Esc. participou da abertura do seminário As mulheres na História, na Literatura e nas Artes: entre práticas e representações. Diretora-professora-chef.Esc., Julie Fank mediou o bate-papo com Estrela Leminski, que aconteceu no dia 29 de maio e abriu o evento organizado pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFPR.

Invasão Esc.quiana

Esta nota poderia ser só para falar dele. Um dos grandes ficcionistas brasileiros, romancista e cronista, o gaúcho Luiz Antônio de Assis Brasil esteve em terras curitibanas nos dias 15 e 17 de maio, para realizar uma oficina de criação literária na Biblioteca Pública do Paraná. Para o grande momento, eram 20 vagas e participantes selecionados a partir de textos enviados. Como mães e pais orgulhosos que somos, a gente quer que todo mundo saiba dos nossos alunxs e professores que lá estavam e conquistaram as vagas com estudo, leitura e força no punho: Bolívar Escobar, Julie Fank, Rodrigo Garcia Lopes, Jonatan Rafael Silva, Adelaide Strapasson, Gabriela Ribeiro e Maria Helena Argolo Cafezeiro. Estão de parabéns e vão ganhar foto no mural de Esc.quers do mês.

Mulheres no papel

<3 Temos uma notícia tão boa, mas tão boa que a vontade é colocar um coração para cada palavra <3. Moema Vilela, doutora em Escrita Criativa pela PUC-RS, estará na Esc. para ministrar dois cursos: Mulheres no papel: representações na literatura (22 e 23 de junho: https://goo.gl/3bcmeu) e Ensaiando a não-ficção (24 e 25 de junho: https://goo.gl/Xz4wDE).capituNo primeiro, vamos ler textos da literatura brasileira contemporânea de autoria feminina e debater sobre processo de leitura, pensando no imaginário construído por diferentes representações da mulher. No segundo, a ideia é examinar e experimentar, por meio de exercícios, leituras e debates, estratégias do ensaio para escrever o mundo de forma intensa e também apurada.

Casamento de cursos primaveril em pleno outono

Que boa ideia, não é mesmo, Camila Pitanga? Pois bem. Como já deu pra perceber, o clima do Dia dos Namorados bateu forte o tambor e no nosso coração fez tic-tic-tic-tic-tac. Por isso, a gente montou combos de cursos e a promoção e pramocinha é válida até o sabadão (10 de junho). Dois cursos juntos têm aquele descontão e você pode chamar o crush, o mozão, migos e migas, vizinhos ou aquela pessoa com quem você sempre pensou em conversar, mas não sabia o repertório ideal para introduzir o assunto. Também pode comprar o combo e fazer os dois cursos sozinhx, ao melhor estilo “presente para mim. Obrigada”.

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COMBO 1 [de R$860 por R$688] Ensaiando a não-ficção + Escrita Criativa
COMBO 2 [de R$960 por R$768] Escrita Criativa + Revisão e Edição de Texto
COMBO 3 [de R$730 por R$584] Ensaiando a não ficção + Como escrever textos acadêmicos
COMBO 4 [de R$730 por R$584] Introdução à Mitologia + Escrita Criativa

Não aprendi dizer adeus

E antes de dizer até logo, viu que conseguimos contar [quase] tudo?, a gente deixa um beijo no coração e os calendários na mão. <3 :) Ah! Em breve, a gente vai divulgar o calendário do próximo semestre e as novidades maravilhosas que estão em fase de organização, edição e revisão.

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A Oldsletter completa pode ser vista por aqui: http://mailchi.mp/escoladeescrita/oldsletter-3-mais-atrasado-que-o-amor-de-harry-sally

Para quem faz tudo — Revisão & edição de textos

Realizar tarefas e concluir prazos de uma pessoa só já é um desafio. Imagine de três. Mas difícil não é impossível e a gente criou um curso para organizar a logística toda que envolve o texto, principalmente quando sobram funções e falta gente. Neste curso, você vai compreender os mecanismos pós-texto e, consequentemente, a conciliar os papéis de editor, revisor e produtor de conteúdo e organizar a função de cada um dentro da produção de conteúdo nossa de cada dia. Mas como o processo de escrita deve envolver um distanciamento saudável para que consigamos reconhecer nossos erros, a autorrevisão é um sério problema. Por isso, o curso pretende auxiliar no entendimento do texto de maneira global e em partes três, mais especificamente: depois de uma boa limpeza, de uma vistoria da estrutura e de um toque de edição, qualquer texto vai estar prontinho para a publicação.

QUANDO? [BELO HORIZONTE] A próxima turma acontece nos dias 3 e 4 junho (sábado e domingo), das 9h às 17h30.

QUANDO? [CURITIBA] A próxima turma acontece nos dias 10 e 11 de junho (sábado e domingo), das 9h às 18h.

QUANDO? [CURITIBA — Programação de férias] Essa turma acontece nos dias 11, 12, 13 e 14 de julho (terça, quarta, quinta e sexta), das 14h às 18h.

ONDE? [BELO HORIZONTE] Logo, logo a gente avisa onde este curso vai acontecer.

ONDE? [CURITIBA] Na nossa sede protegida por leões alados, na Rua Riachuelo, 427. Pertinho do Passeio Público.

QUANTO TEMPO DURA? Este curso tem 16h de duração.

TEM CERTIFICADO? Simpirilim. O curso te dá um certificado de curso livre validável como horas complementares.

QUANTO CUSTA?

[CURITIBA] Este curso custa R$480,00.

COMO POSSO PAGAR?

    • À vista: R$456,00 [5% de desconto via depósito bancário].
    • A prazo, no boleto: em até 3x [acréscimo de R$5,20 por boleto].
    • A prazo, no cartão: em até 3x.

Nas opções a prazo, o valor da primeira parcela corresponde à matrícula e deve ser feito via depósito bancário.

[BELO HORIZONTE] Este curso custa R$590,00.

COMO POSSO PAGAR?

    • À vista: R$560,50 [5% de desconto via depósito bancário].
    • A prazo, no boleto: em até 3x [acréscimo de R$5,20 por boleto].
    • A prazo, no cartão: em até 3x.

Nas opções a prazo, o valor da primeira parcela corresponde à matrícula e deve ser feito via depósito bancário.

*Desconto para três funcionários da mesma empresa.

DO QUE EU PRECISO? O de sempre: caderno de anotações e caneta. Precisaremos também que você leve seu computador.

E COMO FAÇO A MINHA INSCRIÇÃO? Clique neste simpático botão amarelo aqui embaixo e esc.reva-se. Feito isso, você vai receber um e-mail com o passo-a-passo para oficializar a coisa toda, ok?

Esc.reva-se aqui, ó: http://escoladeescrita.com.br/cursos/revisao-e-edicao-de-texto/

Da antiguidade à atualidade: cinco livros sobre mitologias

Difícil mesmo é esbarrar em alguém que não tem nada a dizer sobre Mitologia. É claro que ninguém tem a obrigação de saber qual a cor favorita de Apolo ou explicar as minúcias do sistema mitológico nórdico. O fato é que, muito mais do que “histórias sobre povos antigos”, a mitologia é constante nas narrativas contemporâneas — na literatura, no cinema e em inúmeras outras mídias. Por isso, em preparação para o curso de Introdução à Mitologia, escolhemos cinco livros que tratam, de uma maneira ou de outra, dos sistemas mitológicos ao longo da história.

Homero – Ilíada & Odisseia
São os 2 maiores poemas épicos da história, considerados o início da literatura narrativa ocidental. Tiveram enorme influência nas manifestações da arte, da literatura e da civilização do Ocidente, e seus personagens e sagas se tornaram símbolos e sínteses de toda a aventura humana.
Levados pelas diferenças de estilo de cada poema, estudiosos há séculos discutem a hipótese de cada um dos textos pertencer a um autor diferente. Ou de ambos serem a recomposição de poemas anteriores, da tradição oral, reunidos por um poeta anônimo.
(https://goo.gl/lErKVw)

Roland Barthes – Mitologias
Os ensaios de Mitologias foram escritos entre 1954 e 1956 e editados em 1957, mas permanecem atuais. O livro pertence à fase do autor em que ele objetivava analisar e criticar a cultura e a sociedade burguesas. Barthes realizou aqui uma crítica ideológica da linguagem da cultura dita de massa e provocou a primeira desmontagem semiológica dessa linguagem. “Tratando as representações relativas como sistemas de signos seria possível revelar em detalhe a mistificação que transforma a cultura pequeno-burguesa em natureza universal”, diz ele no texto de abertura do livro. O autor refletiu sobre alguns mitos da vida cotidiana francesa, tendo como ponto de partida um sentimento de impaciência frente ao natural com que a imprensa, a arte, o cinema e o senso comum mascaravam a realidade a serviço de interesses ideológicos. “Confundia-se Natureza com História. ” E a noção do mito pareceu ao pensador designar as falsas evidências. Em seus ensaios explorou fatos da atualidade. aspectos do dia-a-dia (o do mundo catch, um prato de cozinha, plásticos, mulheres, crianças, brinquedos, modelos de carro, propaganda) sem se afastar da semiologia. Desmontado o mito, o autor passa a analisá-lo como um sistema semiológico.
(https://goo.gl/n7Rbzl)

Dante Alighieri – A Divina Comédia
A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da terra santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante num poema que envolve todos os personagens bíblicos do antigo ao novo testamento são costumeiramente encontrados nas entranhas do inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada é Virgílio o próprio autor da Eneida.
(https://goo.gl/9OOOnG)

Neil Gaiman – Mitologia Nórdica
Quem, além de Neil Gaiman, poderia se tornar cúmplice dos deuses e usar de sua habilidade com as palavras para recontar as histórias dos mitos nórdicos? Fãs e leitores sabem que a mitologia nórdica sempre teve grande influência na obra do autor. Depois de servirem de inspiração para clássicos como Deuses americanos e Sandman, Gaiman agora investiga o universo dos mitos nórdicos. Em Mitologia nórdica, ele vai até a fonte dos mitos para criar sua própria versão, com o inconfundível estilo sagaz e inteligente que permeia toda a sua obra.
Fascinado por essa mitologia desde a infância, o autor compôs uma coletânea de quinze contos que começa com a narração da origem do mundo e mostra a relação conturbada entre deuses, gigantes e anões, indo até o Ragnarök, o assustador cenário do apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Às vezes intensos e sombrios, outras vezes divertidos e heroicos, os contos retratam tempos longínquos em que os feitos dos deuses eram contados ao redor da fogueira em noites frias e estreladas.
(https://goo.gl/GDseu6)

Claude Levi-Strauss – O Cru e o Cozido
Com esta obra publicada originalmente em 1964 tem início a edição integral em português da série em quatro volumes Mitológicas de Claude Lévi-Strauss (Bruxelas, 1908), luminar da antropologia no século XX e uma das maiores influências nos estudos acadêmicos no Brasil. “Escritor” no sentido amplo do termo, o autor analisa nesses livros um conjunto de 813 mitos de diferentes povos indígenas do continente americano. A importância da empreitada não reside, porém, na monumentalidade do corpus reunido, mas na radical inovação na definição e estudo dos mitos, realizando o método estruturalista que antes Lévi-Strauss apresentara de maneira programática. A série descortina um pensamento indígena, uma lógica nada arbitrária de ver e pensar o mundo, que se expressa não por categorias abstratas – como os conceitos utilizados pela ciência -, mas por categorias empíricas como “cru”, “cozido”, “podre”, “queimado”, “silêncio”, “barulho”.
(https://goo.gl/6xMRk4)

Quem quer ser um universitário?

Descobriu-se recentemente que, seja você de exatas ou de humanas, o vestibular é responsável pelo desespero de 99,99% dos vestibulandos. Mas há, grazadeus, este 0,01%. Por isso, na hora da redação, é importante fazer parte da minoria que não chora em posição fetal quando vê aquele gráfico delícia pedindo sua opinião sobre o crescimento demográfico do Butão nos anos 30, aquela tirinha sem graça pedindo pra ser explicada ou ainda aquele resumão manjado do texto do Marcelo Gleiser. Sem desespero: de exercício em exercício e com o profe de olho pra ver se tá tudo certo (chega de ficar perdido na multidão do cursinho!), além de um jeitinho linguístico-textual diferentão que vai ensinar a ver as coisas de outra maneira (com clareza e organização), chegou a hora de, devidamente alfabetizado, chegar chegando na universidade (chegou, chegar, chegando? Já chega de repetição). Saiba mais: https://goo.gl/hrP67M

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Do mundo para a Esc., da Esc. para o mundo

Duas alunas da Esc. transformaram suas boas ações em livros. unnamedAssim, fizeram o bem em dobro e, por isso, vão ganhar merecidamente… fotos duplicadas. Anelise Rodrigues publicou seu primeiro livro, “Diário de uma missão”, pela Editoria InVerso, que é um relato de  uma viagem missionária ao Equador.

Joana Magnabosco é coautora do livro “Agora é a tua vez!”, ao unnamed (1)lado de Jonas Kaz. A obra fala sobre uma jornada voluntária na África. Já temos um exemplar deixado pela Joana na BiblioEsc., com dedicatória fofa para os alunos e esc.reventes.

A gente tá aqui sem saber se as alunas da Esc. mais viajam ou escrevem. A conclusão é que escrever é viajar sempre – ainda que nem sempre se saia do lugar. A nova publicada que vai ganhar troféu e destaque neste espaço 13729111_1131198450252477_7706436073085194150_nda página dedicado a enviar muita, muita sorte mesmo a autores é Antonella Satyro. Ela já fez vários cursos aqui e deixa professores e colegas orgulhosos com o lançamento do “Todas as emoções deste mundo”, pela Artes e Ofícios, que reflete sobre a vida e o caminho de Santiago da Compostella. O evento será no dia 26 de maio, na Livraria da Vila, em Curitiba. Não esquece de deixar aquele autógrafo e um exemplar na BiblioEsc., hein Antonella?

E quando a escrita pega carona com o leão alado e sai mundo afora? Foi isso que aconteceu com o a aluna Cristina Bresser. Ela participou da Oficina de Contos com Natalia Borges Polesso e escreveu um conto como atividade do curso. Ao ler aquele papel, o leão achou tão incrível que o levou até a Universidade de Edimburgo, na Escócia, para ser publicado na Revista Literária da instituição. O “Milk with cinnamon” vai entrar na edição impressa de junho, na categoria flash fiction – com menos de 1000 palavras. Fala sobre magia, telepatia e generosidade.

4 trocas de correspondência transformadas em livros

#1 Correspondência de Abelardo e Heloísa, Paul ZumthorAbelardo e Heloisa
“Onde está a sábia Heloísa / Por quem foi castrado, e depois
monge / Pierre Abelardo em Saint-Denys…?” Em linhas gerais, a história é conhecida de todos. O que nos é contado nos textos ultrapassa, por sua ambiguidade, qualquer classificação: tragédia (no sentido medieval do termo: ação com final infeliz), mas também comédia, com conclusão regeneradora, divina comédia… Essa própria ambiguidade dá conta das contradições da crítica: poucos textos são menos neutros do que a coletânea comumente denominada Correspondência de Abelardo e Heloísa, e quase inevitavelmente, o leitor nela investe sua própria ideologia.

#2 Cartas a Nora, James Joyce
Devo ter-lhe atormentado esta noite com o que disse mas certamente é bom que você conheça a minha opinião sobre a maioria das coisas. Minha consciência rejeita toda a ordem social atual e o cristianismo – lar as virtudes reconhecidas classes sociais e doutrinas religiosas. Como posso gostar da ideia delar? James Joyce. Talvez a melhor discussão (real) sobre a relação entre a vida e a arte tenha acontecido Cartas a Nora(ficcionalmente) na Biblioteca Nacional de Dublin no (real e ficcional) dia 16 de junho de 1904. Como assim? Ora assim mesmo. É Stephen Dedalus que na verdade era um pseudônimo várias vezes empregado por James Joyce quem conversa com vários outros escritores todos reais e a quem chama às vezes por seus pseudônimos sobre as relações entre a obra e a vida de Shakespeare. Joyce claro estava adorando dar um imenso nó na discussão. E como. Pois não só é na vida de Joyce que o leitor encontra enredos e às vezes até esclarecimentos para certos trechos dos romances mas é na relação vida-obra e na complicada alquimia que faz com que ela transcenda o egoico e se universalize que se localiza grande parte da magia da leitura da própria obra de Joyce. É claro portanto que toda a documentação que cerque a vida de Joyce há de ser de grande interesse para os leitores. E entre esses documentos as cartas trocadas entre ele e sua esposa Nora ocupam lugar absolutamente central. Muito além da relevância das ditas “cartas sujas’ em que eles trocavam “safadezas’ quando estavam sem se ver o que essa correspondência registra expõe e elucida é simplesmente a relação mais definidora da história de vida de Joyce. O que o leitor brasileiro recebe neste volume carinhosamente traduzido e solidamente organizado por Dirce Waltrick do Amarante e Sérgio Medeiros é uma via de acesso a um compartimento profundo e rico da vida sentimental de um grande reelaborador de sentimentos e vidas. É chegar mais perto da fonte. O Ulysses de um certo ponto de vista é a história de Joyce sem Nora. O dia 16 de junho marca o primeiro passeio do casal (real) mas Dedalus (ficcional) termina o dia só. Se Bloom pode ser visto como uma versão possível de Joyce sem a literatura Dedalus é o escritor sem a mulher que lhe deu segunda vida. Para o homem inteiro adicione-se Nora. Para chegar mais perto dele(s) sirva- se.
(Caetano W. Galindo)

41L5sUEVIBL._SX353_BO1,204,203,200_#3 Carta A D., André Gorz
Até o lançamento deste que foi seu último livro, o austríaco André Gorz (1923-2007) era conhecido por suas obras nas áreas da filosofia e da sociologia, bem como por sua atuação política nos acontecimentos de Maio de 68 na França e em outros eventos marcantes da cultura deste país, onde se radicou. Mas Carta a D. transformou instantaneamente seu autor num total sucesso na área da literatura, com mais de cem mil exemplares vendidos entre França e Alemanha. O livro foi escrito para homenagear Dorine, com quem partilhou a vida por quase sessenta anos. Desde o início da década de 1990, Gorz vivia em retiro com a mulher, que sofria, há anos, de uma doença degenerativa. Os dois viveram uma grande história de amor, companheirismo e militância, após terem se conhecido em Lausanne (Suíça), em outubro de 1947. Desde então, nunca mais se separaram. Carta a D. é do princípio ao fim uma declaração de amor, na qual a trajetória intelectual do autor é revisitada. Discípulo de Sartre e cofundador da revista Le Nouvel Observateur, Gorz era um crítico radical da mercantilização das relações sociais, contrário à crença no trabalho assalariado, além de ser autor de vários livros sobre ecologia.
Este livro integra a coleção Portátil. O design dos livros da coleção foi pensado nos mínimos detalhes para que seja especial e inovador, como nas demais edições da Cosac Naify. As capas, com relevo exclusivo, trazem cores fluorescentes em uma disposição geométrica que varia a cada título. Os livros, em brochura, têm uma encadernação desenvolvida especialmente para garantir maior flexibilidade ao folhear. Todo o volume é impresso em munchen; a textura e cor agradáveis deste papel, aliadas ao tamanho e espaçamento das linhas e das letras garantem uma leitura confortável.

#4 Cartas, Graciliano Ramos
Graciliano Ramos é, sem dúvida, um dos autores mais completos da literatura brasileira. O porta-voz da realidade do sertão download (1)nordestino, mais conhecido pela sua obra “Vidas Secas”, tem as suas correspondências íntimas publicadas pela Editora Record. No livro Cartas, os acontecimentos cruciais da vida deste alagoano são acompanhados através de relatos a amigos e familiares. Viabilizado pela colaboração de pessoas que conviveram com o escritor, principalmente sua viúva Heloísa Ramos, a publicação reúne cartas enviadas por Graciliano desde 1910, quando morou em Palmeira dos Índios, no agreste de Alagoas, numa casa comercial de seu pai, até a viagem que fez em 1952, passando pela União Soviética, Tchecoslováquia, França e Portugal. Além de curiosidades sobre a vida deste ilustre escritor, a obra traz referências históricas do Brasil que são citadas em muitas de suas correspondências. Não se pode esquecer que, entre 1928 e 1930, Graciliano Ramos foi prefeito de Palmeira dos Índios e, em 1930, ocupou o cargo de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas.
O livro proporciona uma íntima relação entre o autor e o leitor, uma vez que suas vivências são narradas minuciosamente de forma peculiar, além de esteticamente reveladoras. São detalhes indispensáveis para aqueles que procuram desvendar a figura do maior escritor alagoano de sua época.

E, para você, qual é o livro de cartas mais marcante de que a gente se esqueceu?

Olha o calendário da Esc., gente

Você sonha em chegar em casa, colocar a TV no modo Netlifx, selecionar aquele filme e ser feliz. Maaasss, na prática, passa mais tempo escolhendo o filme e nem sempre assiste. Quem nunca? A Esc. se inspirou no streaming do coração (que criou um aplicativo para ajudar nessa hora difícil) e vem aqui compartilhar nossos calendários de maio e junho. Assim, ninguém se perde na hora de escolher os cursos – das cartas de amor aos textos acadêmicos.

Estes aqui são os de Curitiba. E, olha, o que seria melhor que escrita, café e ~carinho~ neste inverno?

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ProcEsc.so SelEsc.tivo | Tcharã!

Oi, oi, oi.

Depois desse título que parece um soluço, lá vamos nós ao resultado oficial do processo seletivo que rolou por aqui nos últimos 30 dias.

DIRETO AO PONTO: Quem garantiu a vaga na equipe da Esc. tá aqui, ó: Alice Lima, potiguar vivendo em Curitiba há dois anos desde que veio cursar o mestrado em Comunicação da UFPR (recém-mestra, aliás, rá!), e Hugo de Oliveira, estrangeiro também – do Rio de Janeiro especificamente, com Curitiba na rota desde que resolveu cursar Comunicação Institucional, na UTFPR, há dois anos. Mais ou menos quando a Esc. nasceu. Coincidência, não?

Eles unem qualidades legais como a formação em comunicação e a capacidade de adequação à equipe e passaram por testes e entrevistas aqui mesmo, na nossa sede em Curitiba-PR. O legal é que eles têm perfis bem diferentes e complementares.

foto alice>>> A Alice passou por um teste de duas semanas por aqui e assumiu com louvor a área de comunicação transmídia da Esc. – você pode conferir o nosso Stories atualizado diariamente e a revolução no nosso blog, nos vídeos que vêm por aí e na nossa recém-criada OLDSLETTER. <3 Ela carrega na vida nômade de quem veio de Mossoró – RN e morou em Malta pra um intercâmbio a flexibilidade e a facilidade em readequar o trajeto quando ele não faz mais sentido. E faz muito sentido que ela, além de ser a simpatia que você vai conferir por aqui quando aparecer para um café, também esteja engajada em questões de gênero. Seu trabalho de conclusão do mestrado foi, resumindo resumidamente, sobre gênero e política – e acompanhamos seu vício em café e sua sobrevivência à dissertação (quase um certificado de sobrevivência na selva, diga-se de passagem) desde que ela foi nossa aluna no fim de 2016, no nosso queridinho da casa: o curso de Escrita Criativa: primeiros passos. Ela também traz a experiência de ter trabalhado na Assembleia em Natal, numa tevê apresentando um programa esportivo (!) e como assessora de uma deputada estadual. Das suas principais referências, escolheu cinco: Novos Baianos, Ariano Suassuna, Frida Kahlo, Anna Zêpa. Carnaval de Olinda (frevo, maracatu, Nação Zumbi, Alceu e marchinhas tudo junto), pode? Pode, sim, Alice – e seja bem-vinda!

foto hugo>> E o Hugo, quem chamou? Lá vamos nós: ele nunca havia sido nosso aluno, mas mandou tão bem na escolha de seus textos para nos mandar acompanhando o currículo e na abordagem que suas respostas se destacaram entre as 222 (cabalístico, não?) inscrições para o processo. O Hugo também tem uma jornada peculiar, cursou três anos de Engenharia de Produção no Rio de Janeiro antes de convencer seus pais de que seu caminho era mesmo a escrita, não à toa, seu argumento de convencimento foi passar no vestibular de Comunicação Institucional numa universidade federal tecnológica em uma das cidades prediletas de sua mãe – e aí convencer os pais a mudar para uma cidade a alguns quilômetros de casa ficou um pouco (não muito!) mais fácil. Ele também reúne outras experiências legais na sua jornada profissional: escreve sobre sexo para um site de tecnologia, foi estagiário do SENAC e também atuou como bibliotecário – mas confessou pra gente que foi realocado já que não era muito fã de bibliotecas em silêncio e acabou fazendo muito mais recomendações de livros a usuários do que só um cadastro no sistema. Suas referências vão do Wes Anderson ao Zico e o fato de se dizer falante nativo da língua Shyriiwook também despertou nossa curiosidade.
Bem-vindo, Hugo!

Well, feito todo esse processo, que nos resta agora? Bem, a gente não é bobo, não, e com esse tanto de gente interessada em estar por perto, tem mais fases daqui em diante. Agora, com o objetivo de montar a equipe de Curitiba para o segundo semestre, nossas vagas eram restritivas a quem já morava aqui E tinha perfil para comunicação e atendimento e novos negócios e criação/ redação. Foram esses os perfis que nortearam essa primeira escolha.

Com a equipe de apoio curitibana, mas não muito paranaense formada, vamos dar início ao processo de avaliação de quem se ofereceu para ser nosso braço em outras cidades ou para quem demonstrou interesse em seguir pela docência – já que sempre tem espaço para curso novo por aqui. Isso vai dar um tanto de trabalho e deve seguir até o fim do semestre, dia 30 de junho. Se você se encaixa em alguma dessas categorias, a gente ainda pode tomar um café.

E se você chegou até aqui, é porque curte um textão. Isso é bom, afinal essa é a nossa matéria-prima, né não? Então, lá vão mais alguns recadinhos: você que não se encaixa em nenhuma dessas categorias (morar longe ou querer ser professor) deve estar se perguntando: posso continuar participando? Posso um dia trabalhar na Esc.? Olha só, agora, neste momento, nesta combinação de astros do calendário, nosso processo seletivo está encerrado, mas, todavia, contudo, entretanto, nada impede que a gente abra outros processos (para jobs específicos e freelas) ao longo do ano e você participe novamente. Mas aí o processo se inicia novamente. A vida é cíclica, não é mesmo?

Acabou, mas ainda quer manter contato? Você pode seguir a gente pelas redes. Aqui e aqui. :) E sempre, sempre que quiser, pode fazer parte da nossa comunidade, participando de nossos cursos e eventos. Aliás, tem festa (+ bazar, + birita) por aqui na próxima semana – e quem sabe seja a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente. Você é nossx convidadx!

Até em breve.

Saudações Esc.quianas,
Julie
Diretora & fundadora & algo de escritora ou alguma coisa relacionada Esc.quipe

Troféu Esc. #2: Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2017

pegue teus livros
embale a vácuo
aqueles mais lindos
mude os móveis
dê lugar às goteiras
trate-as pelo nome
encha a casa de baldes coloridos
alinhe teus olhos ao mundo
MUDO
ouvirá teu corpo quente
perder um milímetro cúbico
de silêncio por segundo
no frio ou na dúvida
dispense cobertores ou janelas
caso não tenha
regado a roseira
todo o céu
se encarrega

Poema premiado no Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2017.

netooGeraldo Oliveira Neto é poeta mineiro, natural de Araxá, 32 anos, formado em Jornalismo pela UNI-BH de Belo Horizonte. Esteve ligado à música e produção cultural. O livro Escapismo foi concebido desde o início de 2016, entre as araucárias da antrópica Curitiba e a simplicidade arreigada nas montanhas de Minas.

Troféu Esc. #1: Concurso Dirce Doroti Merlin Clève

Peniel

Ai, mai tá uó esse cabelinho hoje, hein? Vô nem passar a mão que é capaz do sebo secar embaixo dazunha e depois eu vou meter o dedo na boca e ai que nojo. Tudo os dedo comido olha pra isso. E você, quéque cê tá olhano, moça, nunca viu não. Ai, parece que não sei.
Demora da bixiga.
Cheguei seis hora e a senha já tava no duzentos vamo começar 2024 e não vai ser a minha vez. Inferno. Aquela quenga me larga, morre a desgraçada e nem pra me deixar um plano de saúde, viu. Vaca. Queria ver ela aqui nessa fila, esse povo de chinela, duvido que passa sabonete no pé. E daí queu não tomo banho faz três dia, quéque cê tem com isso. Quando eu tomo, fico mais limpo que privada desinfetada, cê tá entendeno. Mai também, como é queu vô tomar banho quesse frio, co gás do alojamento ruim daquele jeito, fora os homi olhando tudo pra ter certeza queu tenho piroca. Jeito de homi eu sei que não tenho, mai como é que ia nascer sem o troço. Num ia, né. Povo besta.
Ai, moça, quéque cê tá olhano. Tem, tem um buraco gigante na minha cara, mai ainda prefiro a boca grudada no nariz com meu dentinho de leite torto do que ser gorda igual você, eu hein. E não me olha mais muito não que se não te mordo todinha, sua loca. E se vier fazer cara feia eu finjo que tô olhando pra cima e você consegue ver até o meu cérebro pela fenda no céu da minha boca. E não é bonito, não, viu, eu mesmo nunca olhei, só sei o que me dizem.
Eita, e o dia que o menino pôs o peru goela acima, saiu porra pelo meu nariz. Doeu que só a pega e o menino ria. Filha da puta. Homi não pode ver um buraquinho que né. Mai também eu deixo. Nunca ninguém quer nada comigo então quando quer tem que aceitar né.
Ai, Deus é mais.
Já me disseram que de costas eu sou até que bonitinho, bundinha bem ajeitada, muito magro, talvez, mai como é que vou come as coisas direito se às vezes os troço sobe e às vezes os troço desce. Desgraça. Aí é vir toda semana no posto, ficar perto dessa gente com dengue, pra tomar um sorinho e rezar pra não caí duro até depois de amanhã, pelo menos.
Senha 197 ainda, só por jesus.
Vontade lascada de fumar unzinho. Mai se a moça já tá assustada assim imagina se ela me vê enrolar o cigarro com a língua e soltar a fumaça pelo buraquinho, acho que ela vomita na minha cara. Eu sei que não é bonito, mai quéque cê quéqueu faça. Foi por causa do fumo da lazarenta queu nasci filhotinho de cruz-credo, então no mínimo, no mínimo, cê tem que suportar olhar pra mim fumando meu mentolado.
Nossa, tô passando a língua no minchinho sem perceber, isso dá um problema. Eu chamo o buraco de minchinho porque se eu não gostar dele quem é que vai gostar né. Mai então, uma vez tava com a língua no minchinho e uma mulher achou queu tava intimando ela pro tchaca. Ai, arrepiei só de pensar. O ruim é que ela falou pro marido dela e o homi veio querer acertar, e vish maria, que homi lindo, vô te contar, só queu não sei o que acontece, ninguém consegue entender o quéqueu falo. A fono disse que o ar entra pelos lugar torto e na minha cabeça tá tudo certinho, mai quando eu vou tentar a língua sai pelo minchinho e aí foi aquilo, né, o homi achou que era ele queu queria pro tchaca. E é claro queu mandava descer, se fosse o caso, mai o tapão veio dois segundos antes deu tentar dizer de novo e, olha, das coisas ruins dessa minha cara oca é que tudo que entra pelo nariz sai pela boca, e as vezes pelo minchinho. Só que o homi não sabia, como é que ele ia saber, e quando ele viu meu nariz já tava quebrado e o sangue jorrou tudo de uma vez na cara dele. Eu ri, os dente vermelho, mai ele que não era doido de encostar em mim de volta né. Nossa, lembrei do tapa fiquei até ton
Eita, quéca conteceu, acho queu apaguei aqui rapidinho porque num lembro de ter dado a senha pra Joice, acho que era a Joice que tava lá na frente hoje e agora já tô aqui sentado, Ai, o sorinho já tá na metade, tão gostoso dar uma desmaiada e acordar no sorinho, renova as energias, recomendo muito. Ai, que soninho, será que dá pra dormir aqui Avião, que susto, não tinha percebido aquela moça aqui do meu lado, eu hein, quéque é essa bacia aqui, credo. Se você pergunstasse pra alguém quem é que seguia quem nessa sala não tinha um que não respondia queu não era o doido. Se essa moça não parar com isso eu juro que levanto e volá dá na cara dela.
Ai, sim, enfermeira, tira ela daqui. Vai, willy.
Levantou, cadê o gindaste, eita, passa perto de mim não, o que é que foi que você disse? Como é que cê tem a corage de me chamar de monstro, gorda, sim, você que precisou de um balde pra fazer um exame de urina. Ai que ódio. Antes eu queria morrer por causa dessas coisa e uma vez até cheguei a colocar uma tesoura no minchinho pra ficar tudo cubista de uma vez, e eu só sei o que é cubista porque a professora sempre me usava de exemplo pra explicar um tal de Picasso e é aquilo né, de pica eu sempre gostei e de cu eu sempre entendi. Já hoje não me abalo não. Quando acontece, é fazer o queu sempre faço, jogar o cabelin pro lado, sem enconstar muito por causa do sebinho, mandar uma beijoca pro reflexo no vidro da enfermaria e falar bem alto, qué pra todo mundo saber que cê tá bem:
— Pixa, chora tão, fofê é finta.

Conto premiado na terceira edição do concurso Dirce Doroti Merlin Clève.

c2d0e32e-dbd3-48af-8641-3017d5b68e11Gabriela Ribeiro é escritora, roteirista, bibliófila e, quando dá, também é graduanda em Letras Português/Inglês na UFPR. Além de participar da organização de eventos literários em Curitiba (a Semana Literária do Sesc e a Semana de Letras), ela é criadora do blog ElasPorEla, cyber-lugar dedicado à divulgação da literatura escrita por mulheres. Gosta intensamente de parênteses, de advérbios e de falar de si mesma na terceira pessoa, como já deu pra perceber, se você leu até aqui. Essas características, inclusive, estão constantemente presentes em seus contos (que já foram destacados pelo Leia Mulheres, pelo Sweek e pelo Medium).