Olha o calendário da Esc., gente

Você sonha em chegar em casa, colocar a TV no modo Netlifx, selecionar aquele filme e ser feliz. Maaasss, na prática, passa mais tempo escolhendo o filme e nem sempre assiste. Quem nunca? A Esc. se inspirou no streaming do coração (que criou um aplicativo para ajudar nessa hora difícil) e vem aqui compartilhar nossos calendários de maio e junho. Assim, ninguém se perde na hora de escolher os cursos – das cartas de amor aos textos acadêmicos.

Estes aqui são os de Curitiba. E, olha, o que seria melhor que escrita, café e ~carinho~ neste inverno?

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LOREM IPSUM #2 crônicas e métodos de urubu

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A crônica é um respiro que escapa entre o cotidiano, sempre tão fértil de estranhezas enquanto nós passamos em branco. Um singelo restaurante ou uma praça abriga dúzias de anônimos, suavemente retirados de seus silêncios pelo olhar de um cronista. Não precisa fazer perguntas, às vezes um par de ouvidos disponíveis é suficiente para guardar as histórias escondidas na cidade.

É uma interpretação possível da fala de Luís Henrique Pellanda, em um bate-papo aqui na nossa Escola de escrita. Cronista da Gazeta do Povo, autor de Nós Passaremos em Branco (2011) e Asa de Sereia (2013, ambos publicados pela Arquipélago), ele nos contou de sua experiência com a crônica, antes de escapar para dentro de seu feitio, quando era apenas leitor.

Em meio as leituras de infância e adolescência, originadas de incentivos familiares e também de uma assinatura do extinto Círculo do Livro, Pellanda descobriu a obra de um ilustre desconhecido de paradeiro ignorado, um cronista chamado Dalton Trevisan (cuja existência também é assunto de lendas e demais escapadas narrativas). Era uma época bem distinta da nossa, com menos locais de leitura espalhados pela cidade e longe do hoje imediato acesso a produção sobre a cidade graças a internet. Na ocasião, Luís não sabia que se escrevia sobre Curitiba, nem se imaginava escritor.
Não na maneira como se tornou um, pois escreveu muito durante seus anos no jornalismo, de reportagens na já mencionada Gazeta do Povo a incursões na produção sobre literatura do Rascunho, além de um tempo como editor no site de crônicas Vida Breve. Quando a frente deste, já tinha escapado dos relatos jornalísticos e literários para as próprias crônicas, lapidadas entre andanças, freelas, estranhamentos e pausas na insone Curitiba.

Além da prática da escrita, Pellanda também contou de eventuais becos obscuros com os quais se topa. Nada da famosa folha em branco, mas sim de ruelas entre redigir um livro e vê-lo publicado, estreitas o bastante para apertar o autor em formação. Da busca mercadológica por um produto específico até ser escolhido para ter um livro lançado, porém sem participar de fato de sua construção; das ambiguidades da distribuição a ter a obra abrigada por uma editora que acolha também o autor, a trajetória da publicação pela vista de Pellanda pode ser interpretada como uma cidade que não esconde a sombra de suas árvores e nem seus bueiros, menos ainda a distância entre eles.
No bate-papo com os alunos da Escola de escrita, Luís Henrique Pellanda também abordou outros aspectos referentes a prática da crônica, um aprendizado do qual nossos alunos não escaparão. A próxima oficina da Escola de escrita é com ele, que vai nos levar para uma caminhada pelo ofício deste gênero tão particular e tão próximo do cotidiano.

É a trajetória do aluno se equivalendo a do autor – você já escapou para dentro de uma crônica hoje?

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