No processo imaginário de  Thiago Tizzot

Crítica Literária

No processo imaginário de  Thiago Tizzot

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John Howe

Arte do canadense John Howe para “A Ira dos Dragões e Outros Contos”, da série Lendas de Breasal

Em Três Viajantes, Tizzot apresenta seu panorama cativo de alquimistas, gnomos e monstros de Breasal

Não espere de Três Viajantes um percurso de experimentação e de ligações de palavras acima da média. O que o escritor e editor Thiago Tizzot oferece, em matéria de literatura, opera em outra dinâmica, voltada à imaginação primeira, à simplicidade narrativa e à formação do leitor através da fantasia – e isso é um fundamento e um propósito.

Três Viajantes conta as aventuras de Estus, Rusc e Lisael, prisioneiros nas masmorras da Fortaleza de Perfain, em Breasal, região onde se passam todas as histórias de Tizzot. Após uma fuga mirabolante, o trio parte em busca da resolução de um segredo. No caminho desértico, há uma profusão de monstros, alquimistas, feitiços, gnomos, um livro sagrado, enigmas, batalhas entre reinos, amuletos, entre outros símbolos da literatura de fantasia. “Ninguém quer ter um alquimista como inimigo”, diz o narrador em certo momento.

Não é o viés mais apropriado analisar o discurso narrativo pela ótica da ambição estética. A busca é por ampliar camadas de imaginação, fomentar possibilidades, formar um público sonhador e que promova uma entrada sem traumas no campo literário – a leitura como processo interativo. “O calor da fornalha abraçava seus corpos como uma amante nova”.

A trajetória heróica dos três amigos, auxiliados por uma andarilha indicada pela Mestra da Biblioteca da cidade de Krassen, estabelece conexão com outros dois livros do autor, da coleção Lendas de Breasel: O Segredo da Guerra e A Ira dos Dragões e Outros Contos, além de seus contos nas antologias fantásticas Crônicas de Espada e Magia e Mundo de Fantas.

Três Viajantes é mais uma tomada no propósito de Tizzot de construir um roteiro mágico próprio. É prosa direta, convite à viagem, ao entrelugar de dualidades, de coexistência de contrários. Para o leitor por um simples prazer da leitura. Para o escritor, expansão e fratura das convenções do verossímil.

 

Estante

Três Viajantes

Thiago Tizzot

Editora Arte & Letra, 140 p., R$ 22

 

Inscrições para a oficina de Thiago Tizzot, aqui

 

Escape para a leitura

“Os três visitantes não ousaram rir de sua anfitriã, afinal estavam diante da Mestra da Biblioteca de Krassen. Suas palavras, contudo, eram as de um louco. O deserto de Tatekoplan é um dos lugares mais perigosos de Breasal”, p.55