Olha a anja, olha a anja!

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Olha a anja, olha a anja!

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Peppa 2

A Peppa é pop

Tudo bem com vocês? Quantas vezes rolou a prática da alteridade essa semana? Aposto em apenas três oportunidades: 1. Durante as quartas de final do mundial de rúgbi; 2. No sonho em que dois belos rapazes jogavam sinuca, você na mesa, de pernas cruzadas, talvez com pouca roupa; 3. Antes da execução do hino do Grêmio, nada de marotagem, gente. Olha o gol! Olha a avalanche! Ai, minha nossa.

Mas chega de trololó e troca de figurinhas de italianos com tiara. O que quero dizer é mais sério do que um texto do Alex Castro ou o encontro de dois cachorros estranhos numa repartição, segunda-feira cedo (um deles não é vacinado por motivo de ser filhote): problemas de revisão em livros.

Sim, problemas de revisaun. Barasil! Gol da Alemanha! Virou passeio! Gol da Alemanha! Eu, que enxergo mais do que dois alces fugindo da estréia de um filme do Woody Allen pós-1999, nunca esquecerei um nome: Josué Guimarães. Ah, Josuelito. O que acontece quando a editora repete trechos do livro em momentos aleatórios e deixa tudo parecendo um bacanal sem noção? (Existe bacanal sem noção? Pra pensar com prioridade).

Aquele dia em que Dona Anja foi impresso com trechos repetidos de interação afetiva. Aquele dia foi louco. Pra quem não lembra: 3 de dezembro de 1977, dia da aprovação da Lei do Divórcio pelo Congresso. O país ­inteiro parou – como numa semifinal de Copa do Mundo, sem o 7 a 1. Em votação, a emenda do ilustríssimo senador Nélson Carneiro, que ­instituía no Brasil o rompimento legal do matrimônio. Vai ter divórcio, sim!

O país estava dividido: de um lado, os conservadores, lendo trechos de José de Alencar em voz alta; de outro, os modernistas, com coque invertido e assistindo séries baixadas pelo Torrent. Na casa de Dona Anja e de suas encantadoras ­meninas – chamemos de casa porque o importante é ter um cantinho bonito pra morar –, o prefeito, o delegado e demais figurões de uma cidade modesta discutem o que realmente importa – e dá-lhe interação bonita, amistosa.

Não irei dizer pra você qual editora conseguiu a façanha de imprimir o livro com trechos repetidos – basta você digitar DONA ANJA PRIMEIRA EDISSÃO. O que sabemos: logo depois, o Brasil perdeu pra Itália na Copa de 1982 (italianos maravilhosos). Paulo Coelho resolveu escrever sobre os caminhos de Compostela. Renato Russo compôs “Faroeste Caboclo”. Bolinho batumado virou cupcake. Nelson Ned visitou a ilha do ostracismo. Sepultura aka Carlinhos Brown. Seu namorado resolveu seguir os traços da paixão e se declarou pra sua melhor amiga.

No ano em que os revisores saíram de férias.

Pode acontecer, de John Williams a Rick & Renner.

Abrazos!