Piscina de bolinhas

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Hemingway 3

“Presta atenção no serviço, filhão”.

Olá, leitores vorazes de crítica negativa e que defendem livros que não leram, mas de amigos? Como foi a semana de vocês? Quem é o favorito do prêmio bola da vez da literatura brasileira e que ninguém lembrará daqui dois anos? Como sempre fui um haole da crítica literária, nunca perdendo um embate e estimulando a peleja sem peso na consciência, mesmo que estivesse mascando chiclete, acabei lembrando-me do dia antológico em que Ernest Hemingway respondeu a um repórter sobre qual era a mensagem de seus livros. “Se fosse para passar mensagem, trabalhava entregando cartas”. Bem, não sei se foram exatamente essas palavras, pois nesse momento estava um pouco ocupado conferindo o tamanho de determinadas anatomias de Scott Fitzgerald – Zelda achava o menino modesto. Hemingway também. Isso posso comprovar.

Aliás, e esse moço janota-class, interpretado de maneira batráquia pelo Titanic Leonardo di Caprio: cheirava farinha com incrível verossimilhança, não? (Ao menos, é o que me disseram.) Mas voltemos ao grande romancista da geração perdida e deixemos os críticos literários tomando refrigerante Seven Up. Hemingway não tinha nada de fake agent: it’s all is true. “Um homem não existe até que fique bêbado”, dizia. Um case clássico: depois de beber nos fundos de um bar nova-iorquino – ou, se preferir, depois de beber o bar inteiro, do teto à sarjeta –, começou a perturbar John O’Hara, que parece não ter ficado muito feliz em ser motivo de galhofa. Na tentativa de salvar a honra, o escritor de Encontro em Samarra, reconhecido pelo temperamento difícil e por enfrentar diversos donos de jornal, sendo inevitavelmente demitido de quase todos os periódicos em que trabalhou, ofereceu 50 dólares para Hemingway caso ele conseguisse quebrar a sua bengala irlandesa. Resultado: o autor de O Velho e O Mar quebrou a bengala na própria cabeça. Os pedaços ficaram pendurados sobre o balcão do Costello’s por muitos anos.

Em tempo: John Updike dizia que o relacionamento do casal de protagonistas de O’Hara em Encontro…, tal o grau de combustão sexual envolvido na parada, fazia Hemingway e Fitzgerald parecerem românticos insossos.

Voltemos ao epicentro. Presta atenção no serviço. Em certa época da vida, quando Hemingway morava em Montana, bebeu tanto numa noite que acabou dormindo com um urso. Considerou o novo amigo bacana e tranquilo. Era tão bezófi que seu nome é invariavelmente associado ao mojito, um drink inventado no bar La Bodeghita Del Medio, em Havana. Vejamos, pois:

 

5 folhas de hortelã + 1 um ramo de decoração

30 ml de suco de limão

20 ml de xarope simples

60 ml de rum leve

1 gomo de limão

Gelo

 

Sobre a velhice, dizia que gostaria de ver todos os novos lutadores, cavalos, balés, ciclistas, damas, toureiros, pintores, aviões, filhos da puta, personagens de cafés, grandes putas internacionais, restaurantes, anos de vinho, notícias, e nunca mais ter de escrever uma linha sobre nada disso. Detalhe: escrevia tudo à mão.

Bêbado, porém participativo.

Produtivo, mas com estilo econômico.

Interagia com as mulheres, sim.

Foi motorista de ambulância na Primeira Guerra Mundial. Percorreu as zonas de conflito da Guerra Civil Espanhola, esteve na guerra greco-turca, era entusiasta da revolução em Cuba e envolveu-se na Segunda Guerra Mundial.

De brigas de galo a boxeadores, sofreu no fim da vida com mania de perseguição, o que, anos mais tarde, acabou sendo uma paranoia confirmada pelo FBI, que seguia cada um de seus passos. Suicidou-se com um tiro de espingarda em 1961. Viveu into the flow.